sábado, 9 de fevereiro de 2013

Identificada ossada do rei inglês Ricardo III

"A arqueologia sempre ajudou a História nos campos de pesquisas. É uma encruzilhada de informações que se encaixam nas mais diversas ciências humanas" Prof. Hugo Leonardo


É do rei Ricardo III (1452 – 1485), o último monarca da Casa de York e o último rei inglês a morrer em batalha, a ossada encontrada embaixo de um estacionamento na cidade britânica de Leicester. Especialistas da Universidade de Leicester disseram que o DNA do esqueleto coincide com os de descendentes da família do monarca.

O esqueleto do rei Ricardo III, encontrado no sítio de escavação Grey Friars Church, em LeicesterFoto: AFP PHOTO / HO / University of Leicester

Ricardo III foi morto na Batalha de Bosworth em 1485, aos 32 anos, mas seu túmulo se perdeu quando a igreja construída junto a ele foi demolida no século 16. Foram identificados 10 ferimentos em seu corpo, incluindo oito no crânio.

O rei cuja ossada acaba de ser identificada é frequentemente retratado como um tirano inescrupuloso, que lança mão de intriga e assassinato para chegar ao poder. Ele inspirou uma peça de Shakespeare, que leva seu nome e na qual o personagem-título profere a famosa frase "Um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo!", instantes antes de morrer. No cinema, já foi vivido por Ian McKellen e Al Pacino.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Zezé, Ninita e Chiquim

"Não poderia começar o ano sem trabalhar numa ferramenta cheve nas provas dos vestibulares: AS CHARGES. E, claro, não deixaria de iniciar com fabuloso Henfil. Boa leitura" (Prof. Hugo Leonardo)



Uma ave magrinha, mas muito combativa, chamada Graúna; um bode intelectual, Francisco Orelana, que gostava de devorar livros; um “cangaceiro-macho-lutador”, porém dado a gestos carinhosos, de nome Zeferino. São estes os três personagens criados pelo cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil (1944-1988), para discutir – esporadicamente no semanário O Pasquim, diariamente no Jornal do Brasil e mensalmente na revista Fradim – os problemas sociais, políticos e econômicos por que passava o Brasil dos anos 1970. O curioso trio habita um lugar denominado Alto da Caatinga, onde tudo parece uma metáfora do país que o humorista quis retratar.

O cenário onde circulam os personagens é desolador. Os cactos, que acentuam a aridez local, são uma alegoria da escassez e do desconforto. As caveiras de gado – os macabros “Caverinos” – simbolizam a proximidade da morte. E o sol causticante, que não dá trégua ao grupo, representaria a situação sufocante imposta ao país pela ditadura militar instaurada em 1964. Neste ambiente de privações há, no entanto, espaço para delicadezas. Graúna, na intimidade, chama Zeferino de Zefé ou Zezé. O cangaceiro chama a ave de Ninita, e ambos tratam o “bode pensador” como Chico ou Chiquim. Só este último, talvez por seu caráter pragmático e pouco afeito a sentimentalismos, não adota apelidos afetuosos no tratamento com os parceiros.

Segundo o próprio Henfil, a criação de Zefé, Ninita e Chiquim foi inspirada em leituras variadas: Guimarães Rosa (1908-1967), Jorge de Lima (1895-1953) e – sobretudo – Os sertões, de Euclides da Cunha (1866-1909) e os filmes de Glauber Rocha (1939-1981). Zeferino Ribamar das Mercês (nome completo de Zefé) foi o personagem que saiu em primeiro lugar da prancheta de Henfil. Ele reflete, de forma clara, as influências familiares do criador: seus ascendentes eram naturais do chamado polígono das secas, no norte de Minas Gerais, cujo clima, e os problemas sociais dele decorrentes, são bem semelhantes aos da região nordeste. Nas palavras do cartunista: “Zeferino seria um pouco como meu pai”. Seu Henrique fora tocador de acordeão e tropeiro durante a infância, na Fazenda Saco Grande, em Pirapora, ao norte de Belo Horizonte e, segundo o filho, tinha uma “visão arejada do mundo”.

Zeferino consegue, através de suas atitudes rústicas, expressar ao mesmo tempo a simplicidade, a resignação, a astúcia e a altivez do povo dos sertões. Trata-se, ao que parece, de um homem de meia idade cujos trajes, hábitos, discursos e práticas revelam sua condição de jagunço. O chapéu de couro, as cartucheiras enlaçadas ao corpo e as alpercatas reforçam sua condição social de sertanejo.


Traços fisionômicos marcantes – olhar agressivo, peito largo e fartos bigodes, associados a apetrechos pessoais como armas (facão, revolver ou carabina) e a rede em que dorme (própria da condição de despossuído) – constroem a imagem de “cabra valente” constantemente desmentida por gestos acovardados e por vezes hesitantes. Zeferino simbolizava a força bruta que poderia servir tanto à massa de dominados como às elites dominantes. No seu relacionamento com a Graúna, por exemplo, prevalecia uma postura arcaica, paternal, conservadora e repleta de preconceitos. Já com o bode Orelana ele tenta instaurar um pacto harmonioso.

A fala de Zeferino mistura um repertório sertanejo cheio de arcaísmos a enunciações próprias do espaço intelectual urbano, de onde Henfil retirava o conteúdo das suas histórias. Numa tira, ele anuncia ao bode as despesas médicas que vai deduzir de sua declaração de imposto de renda (“No exercício de 75 gastei 28 velas, 12 galinhas pretas e 18 charutos!”), mas, quando perguntado pelo parceiro se acha que os “técnicos do tesouro vão entender isso”, Zeferino conclui: “Então coloca na linguagem do Sul-maravilha: fui 28 vezes ao dentista, 12 ao cardiologista e 18 ao psicanalista!”, onde o “sul-maravilha” se torna a representação do Brasil venturoso vulgarizado nas propagandas oficiais do regime militar.

Através de uma linguagem rústica, o jagunço fazia reflexões cômicas sobre os mecanismos de opressão e os rumos da luta contra a ditadura. Ele é, na concepção de Henfil, a representação de um novo agente revolucionário: o povo fustigado pela miséria e pela fome que queria reverter essa situação por meio da violência. Ao contrário do sertanejo descrito por Euclides da Cunha como os “homens mais bravos e mais inúteis de nossa terra”, na caatinga inventada por Henfil “os bravos inúteis transformam-se em bravos úteis”, na expressão da escritora Walnice Galvão.

Se por um lado Zeferino concentrava um potencial simbólico “de esquerda”, por outro era dado a valores e práticas “de direita”, evidenciados no seu conservadorismo machista imposto pela força física e pelas armas. Quando ele contracena diretamente com a Graúna, este aspecto se torna bem evidente, numa relação com um claro teor sexual, especificamente sadomasoquista., porém temperada com pitadas de “luta de classes”. Em uma tira na qual apanha bastante de um Zeferino bêbado, por exemplo, ela ainda tem a força e o humor para dizer: “Às vezes penso em largar deste negocio de política e ficar só apanhando do Zezé”. A astuta Graúna das Mercês – seu nome completo – foi o segundo personagem a surgir no Alto da Caatinga. Ela tem a habilidade de silenciar e amedrontar, apesar da sua fragilidade física, o bode intelectual e o cangaceiro. Os traços rápidos que definem seu corpo, compondo algo similar a um ponto de exclamação, ajudam a compreender sua personalidade.
 No rosto da Graúna destacam-se os grandes olhos que não raro fixam o leitor, talvez para envolvê-lo mais nos seus argumentos. Os olhos são os reais definidores do seu temperamento, do seu estado de espírito e do seu humor. Os traços da ave, mais espessos nas primeiras histórias, foram gradativamente se tornando delgados e se resumindo, no final, ao estritamente necessário, de modo a fazer sobressair seu espírito arguto e atuante. É ela que confere dinâmica à vida na caatinga e questiona atuação e os discursos das esquerdas, através do que Henfil denominava “o canto feminino de autocrítica da Graúna”.
 
Pelo seu espírito crítico, ela poderia ser definida como a personagem que coloca às claras as questões subjacentes aos textos dos companheiros Zeferino e Bode Orelana. Sua ingenuidade, segundo o autor, a tornava “muito humana e muito passível de o leitor se identificar”. Seus “sonhos de consumo” eram os mais frugais possíveis. Uma fita durex, por exemplo. “Ela já ouviu falar disso, mas não sabe o que é. Está louca para alguém do sul-maravilha trazer uma fita durex pra ela conhecer”, a ‘fita durex’ sendo mais uma alusão ao clima de  euforia criado pela propaganda do governo.

Destaca-se, finalmente, a atuação do bode Francisco Orelana. Além de designar a conhecida espécie caprina, encontra-se no dicionário Aurélio a seguinte definição para a palavra bode: “Estado depressivo, ou de sonolência, provocado por droga, ou não. Situação embaraçosa, difícil, complicada ou deprimente”. Assim, o personagem que devorava livros podia servir muito bem como metáfora de um certo estado de espírito que caracterizava a intelectualidade brasileira no limiar da década de 1970, quando Orelana, o intelectual do Alto da Caatinga, veio ao mundo.

O papel do bode era repassar aos companheiros o saber absorvido através da leitura/deglutição dos livros e propalar uma proposta de conteúdo revolucionário. Segundo o depoimento de Henfil, a inspiração para a criação de personagem tão curioso veio de seus contatos com o amigo Elomar, músico e criador de bodes. De fato, Orelana com seu nariz saliente, barbicha, olhos e orelhas grandes, parece reproduzir as feições do cantador nordestino. Fora isso, o personagem exibe uma inocência quase virginal ante as coisas referentes à vida mundana, passando por vezes da condição de condutor à de conduzido.

Características como ambigüidade, contradição, covardia e neurose estão presentes em todos os componentes do grupo, mas em Orelana elas se associam e entram em conflito com seu caráter extremamente crítico. Por intermédio dele, Henfil parece querer manter aceso o debate intelectual num período que a falta de liberdade tornava especialmente medíocre em matéria de discussões. A participação de Orelana tinha o papel de aproximar os leitores dos impasses e conflitos que afligiam os intelectuais brasileiros depois do AI-5. É através do bode que Henfil defende suas posições políticas, propondo a subversão dos valores cultivados pela direita conservadora. “Lutar contra as injustiças sociais, a sociedade pequeno burguesa, as multinacionais, enfim o capitalismo imperialista!” declara Orelana numa tira.

Foi também por meio do personagem Chiquim que Henfil abordou o problema da autocensura. Tratava-se de denunciar aí não só a censura prévia, instituída pelo regime militar, mas também aquela outra, gerada pelo medo que tomava conta dos cidadãos, especialmente intelectuais e jornalistas, ao expressarem suas opiniões. Orelana e seu grupo tratavam de questões e problemas que na época atormentavam artistas e intelectuais “engajados” como Henfil. Estes não deixavam de correr riscos ao assumir uma postura de resistência ao regime. O humorista morreu precocemente, aos 44 anos, mas a tempo de assistir ao processo de redemocratização pelo qual lutou, com as armas da criatividade e do humor, através dos seus famosos personagens.


Maria da Conceição Francisca Pires é pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa e autora da tese “Cultura e Política entre Fradins, Zeferinos, Graúnas e Orelanas” (UFF, 2006).
Saiba Mais - Bibliografia:

KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e Revolucionários nos Tempos da Imprensa Alternativa. SP: EDUSP, 2003.
MORAES, Denis. O Rebelde do Traço: a vida de Henfil. RJ: Jose Olympio.1996.
SALIBA, E. T. Raízes do Riso: a Representação Humorística na História brasileira da Belle Époque aos primeiros tempos do Rádio. SP: Cia das Letras, 2002.
VERENA, Alberti. O Riso e o Risível na História do Pensamento. RJ: Jorge Zahar. Ed. FGV, 1999.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A semana de Arte Moderna: O Brasil como obra de arte

Cartaz da Semana de Arte Moderna 

A primeira Guerra Mundial (1914-1918) provocou um forte impacto sobre os intelectuais brasileiros, mudando a maneira de se pensar o Brasil. Ao final do conflito, a destruição da Europa revelou a fraqueza da civilização que os intelectuais brasileiros da Primeira República queriam seguir como modelo.

Restava, portanto, voltar os olhos para nossas próprias raízes. A vergonha que se tinha do povo brasileiro, por não ser como o europeu, passou a ser questionada. O modelo que vinha da Europa, antes tido como perfeito, revela-se frágil e decadente.

A intelectualidade brasileira organizou, em 1922, em São Paulo, a Semana de Arte Moderna. Expondo quadros, recitando poesias ou promovendo apresentações musicais, os artistas participantes revelaram ao público que era possível fazer uma arte moderna (e, portanto, em dia com as novas tendências europeias) verdadeiramente nacional. Com esse espírito, os modernistas trouxeram temáticas nacionais para o centro de suas obras, valorizando o povo brasileiro.

Mas a semana de 1922 foi um escândalo, pois rompeu com velhas fórmulas a que todos estavam acostumados, modificando a linguagem, as formas de expressão visual, o gosto musical e contestando todas as regras existentes. O poeta Oswaldo de Andrade, por exemplo, recusava-se a usar a linguagem pomposa, apreciada pela elite, adotando uma linguagem simples, cheia de gírias e expressões populares, como podemos ver neste poema:

No Baile da Corte
Foi o Conde d’Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de suri
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê, bebê, pitá e caí

A semana de 1922 contribuiu para que a arte brasileira ganhasse características próprias, mostrando cenas típicas da paisagem e do povo brasileiro. Assim, enquanto Cândido Portinari pintava os retirantes da seca, Di Cavalcanti retratava as mulatas brasileiras e Tarsila do Amaral mostra os rostos da classe operária em frente às chaminés da grande indústria. 


A literatura buscava nossas raízes históricas. O índio, o caipira, o negro, os trabalhadores do campo e da cidade passaram a ocupar o primeiro plano dos romances escritos pelos modernistas. Foi assim com o personagem que deu nome ao livro de Mário de Andrade Macunaíma, publicada em 1928.

Macunaíma representava a síntese do Brasil: nasce negro, mas se comporta como índio e, em determinado momento de sua história, torna-se branco por efeito de magia. Viajando por diversas regiões do Brasil, consegue adaptar-se a todos os hábitos (do Norte e do Sul, do campo e da cidade). Apresentando-se como a mistura de todos os elementos do povo brasileiro, encarna o herói (ou anti-herói) nacional, ou seja, o homem comum.

Outros escritores chamaram a atenção para os graves problemas nacionais. O baiano Jorge Amado publicou livros enfatizando a vida dos pescadores, dos plantadores de cacau e dos meninos de rua de Salvador. Merece destaque a obra de Graciliano Ramos, Vidas Secas, publicada em 1938. O livro relata a dura vida do sertanejo nordestino, maltratado pela seca e pela falta de perspectivas.

“Tupy or not Tupy”, ou “Ser ou não ser brasileiro”, como definia Oswald de Andrade, tornou-se a grande questão durante aqueles anos. Conhecer o brasileiro comum e com ele se identificar estava no centro das preocupações dos intelectuais. Desistia-se de tentar ser “europeu”.

Assim, a agitação intelectual que marcou o período foi algo mais do que um simples movimento de ideias. Foi também um movimento político que contestava o velho governo e as antigas regras que predominaram até os anos 1920, contribuindo para reforçar o sentimento de crítica à omissão do Estado na solução dos problemas nacionais e de urgência de transformações na sociedade.

Assistam ao Vídeo:


Globo News (Semana de Arte Moderna):


Referência:

Coleção telecurso 2000. FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO




sábado, 13 de outubro de 2012

República Oligárquica


O apogeu da ordem oligárquica

Entre 1898 e 1914, viveu-se o apogeu da ordem oligárquica no Brasil. Essa periodização tem um caráter basicamente didático, uma vez que pudemos observar que a estruturação desse domínio vinha se articulando desde o final do período colonial: há tempos já existia uma forma bastante significativa de exercício desse poder, muitas vezes, se fazia de forma indireta, como, por exemplo, durante a monarquia.

Nesse período, a centralização política e a decorrente dependência de uma burocracia imperial impediam um domínio pleno sobre os mecanismos políticos por parte dos latifundiários; mesmo porque se, por um lado, essa vasta burocracia imperial era recrutada em meio às elites, por outro, essas elites eram muitas vezes nordestinos, isto é, tradicionais e decadentes do ponto de vista econômico, agarrando-se aos seus cargos como forma de evitar a queda total.

A situação passou a ser incontrolável a partir da expansão da lavoura cafeeira, a nova riqueza econômica do país. Nem tanto nos primeiros tempos, quando a aristocracia cafeeira, escravocrata e fluminense ou do vale do Paraíba paulista, adequou-se perfeitamente às estruturas burocráticas do Império. Mas, com a expansão do café rumo ao Oeste paulista e com a consequência de uma nova aristocracia cafeeira, menos dependente da escravidão, passou-se a questionar os antigos mecanismos políticos imperiais. Daí o advento da república. 


Produção e Estoque do Café


Como vimos, a república se viabilizou por um golpe militar e, por isso, os militares permaneceram alguns anos à frente do poder, só sendo afastados do centro do cenário político no governo de Prudente de Morais. Esse governo, portanto, teve um caráter transitório e inaugural e, por isso, o tratamos de forma separada. Quanto aos demais governos do período inicial da República oligárquica, optamos por trata-los de forma conjunta, enfatizando seus aspectos econômicos, sociais e políticos.

ECONOMIA: O COMBATE À CRISE DO CAFÉ

A queda nos preços do café no mercado internacional abalou fortemente a economia brasileira que dependia em grande parte das exportações do produto. De fato, por volta de 1900, o café correspondia seguramente a mais de 50% do valor das exportações brasileiras. 


Assistam ao Vídeo:

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cientistas descobrem na China homem desconhecido que conviveu com o moderno


Os cientistas admitem, mesmo sem comprovação definitiva, que o nosso planeta tenha se formado há cerca de cinco bilhões de anos e que a vida, em sua forma mais primitiva, tenha surgido um bilhão de anos depois. Eu vos falo da PRÉ-HISTÓRIA.

Atualmente a busca de resquícios da era chamada de PRÉ-HISTÓRIA, que erroneamente é rotulado, são constantes. Vejam a matéria da UOL da descoberta de fósseis em duas cavernas do sudoeste da China revelaram a existência de um homem até agora desconhecido da Idade de Pedra.


Vejam a matéria completa aqui: MATÉRIA COMPLETA

Assistam ao vídeo sobre a Era em que o homem viveu entre as feras:

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Era Pré-Colombiana


Mapa da América indicando as regiões culturais na América Pré-colombiana.

██ Ártico


██ Noroeste


██ Aridoamérica


██ Mesoamérica


██ Área intermediária


██ Caribe


██ Área amazônica


██ Área andina


Muitas civilizações pré-colombianas estabeleceram características e marcas que incluiam assentamentos permanentes ou urbanos, agricultura, e arquitetura cívica e monumental e complexas hierarquias sociais. Algumas dessas civilizações já tinham desaparecido antes da primeira chegada permanente dos europeus (c. final do séc. XV - início do séc. XVI), e são conhecidas apenas através de pesquisas arqueológicas. Outras foram contemporâneas com este período e também são conhecidos através de relatos históricos da época. Algumas, como os maias, tinham seus próprios registros escritos. No entanto, a maioria dos europeus da época viam esses textos como heréticos e muitos foram destruidos em piras cristãs. Apenas alguns documentos secretos continuam intactos, deixando os historiadores modernos, com lampejos dessas culturas e conhecimentos antigos.

A era pré-colombiana incorpora todas as subdivisões períodicas na história e na pré-história das Américas, antes do aparecimento dos europeus no continente americano, abrangendo desde o povoamente original no Paleolítico Superior à colonização européia durante a Idade Moderna. Embora tecnicamente referindo-se a era antes de viagens de Cristovão Colombo em 1492-1504, na prática, o termo inclui geralmente a história das culturas indígenas americanas, até que serem conquistadas ou significativamente influenciadas pelos europeus, mesmo que isso tenha acontecido décadas ou mesmo séculos depois do desembarque inicial de Colombo.

O termo pré-colombiano é frequentemente utilizado especialmente no contexto das grandes civilizações indígenas das Américas, como as da Mesoamérica (os olmecas, os toltecas, os teotihuacanos, os zapotecas, os mixtecas, os astecas e os maias) e dos Andes (os incas, moches, chibchas, cañaris).


De acordo com contas e documentos dos indígenas americanos e dos europeus, as civilizações americanas no momento da colonização europeia possuiam muitas realizações impressionantes. Por exemplo, os astecas construíram uma das cidades mais impressionantes do mundo, Tenochtitlán, onde hoje está localizada a Cidade do México, com uma população estimada em 200.000 habitantes. Civilizações americanas também exibiam realizações impressionantes em astronomia e matemática.

El Mirador, como deveria parecer em 300 a.C.

Onde esses povos persistiram, as sociedades e culturas que são descendentes dessas civilizações agora podem ser substancialmente diferentes na forma original. No entanto, muitos desses povos e seus descendentes ainda mantêm várias tradições e práticas que dizem respeito aos tempos antigos, mesmo que combinados com culturas que foram mais recentemente adotadas.




Panorama de Machu Picchu em meio às cadeias de montanhas peruanas.

ASSISTAM AO VÍDEO - CIVILIZAÇÕES SECRETAS:


FONTE:

sábado, 22 de outubro de 2011

‘Cabo’ Anselmo sabatinado

Em entrevista ao 'Roda Viva', da TV Brasil, ‘maior traidor da esquerda brasileira’ nega fatos históricos e até que sabia da gravidez de sua namorada, torturada e morta na ditadura
José Anselmo dos Santos, o “cabo” Anselmo – considerado o maior delator da esquerda armada brasileira – negou ontem, em entrevista à TV Brasil, vários fatos históricos a ele imputados.

Anselmo era presidente da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB) em março de 1964, até deixar a Marinha para, supostamente, se dedicar à luta armada. A repercussão de sua história ofuscou as trajetórias de vários de seus colegas de farda que, ao contrário dele, continuaram lutando contra o governo militar – como você pode ver aqui.

O “cabo” garante que passou a delatar companheiros apenas em 1971, depois de ser torturado. Mas, ironicamente, ele diz que “não imaginaria” o que poderia acontecer com sua namorada Soledad Viedma, torturada até a morte pelos militares – além de negar, também, saber que ela estava grávida de quatro meses.

Anselmo refutou – e não transpareceu – qualquer arrependimento. Para ele, tratava-se de “uma guerra declarada”, na qual “morreram gente dos dois lados” e que Soledad “escolheu enfrentar os policiais da ditadura”. Anselmo negou, inclusive, ter dado informações sobre companheiros – sob o argumento de que tudo era colhido por sua “sombra”, um militar encarregado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, de seguir Anselmo e todos que se encontravam com ele.

O ex-militar declarou ainda que participaria da Comissão da Verdade – em votação no Congresso Nacional –, desde que “houvesse gente dos dois lados”. Anselmo hoje vive, segundo ele, de favores de amigos empresários – “nenhum deles ligados ao regime militar” – que se solidarizaram com sua história.

Veja alguns trechos da sabatina nos vídeos abaixo disponibilizados pela TV Brasil no YouTube:



Referências:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/nota/cabo-anselmo-sabatinado

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_Anselmo

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Síntese da História da Sexualidade no Brasil


Quando se trata deste assunto, sexualidade, a grande maioria tem uma visão muito limitada do que seria realmente falar disto. Principalmente, quando em fatores históricos, não entendem a evolução de comportamentos e costumes no devir histórico que nos faz refletir e entender a sexualidade. Assunto que se deve comentar, discutir, divulgar, sem tabus e sem vulgarização.

Hoje encontramos em propagandas comerciais, mulheres, homens, ambos seminus, lambendo os beiços e trocando olhares. Nossos padrões de beleza e erotismo têm mais influência cultural do que genético, se não dizer, só tem. Hoje ao vermos mulheres bonitas, para os modelos da mulher agradável que são impostas na mídia, desejamos, nós homens, as mulheres limpas com peles macias etc. No Brasil Colônia, quanto mais cabeluda fosse a região genital feminina melhor agradava os anseios dos machos. Como diz a historiadora Mary Del Priore: “As vergonhas depiladas remetiam a uma imagem sem sensualidade. As estátuas e pinturas que revelam mulheres nuas, o faziam sem pelos púbicos. A penugem cabeluda era o símbolo máximo do erotismo feminino”.

Talvez com isto, podemos indagar e refletir de como a questão de protótipo do belo e sensualidade estão mais ligadas ao comportamento de uma sociedade. Lembrando, que as questões higiênicas não tinha uma mínima de preocupação. A região feminina, chamada de “tesouro da natureza”, estava relacionada à reprodução, maternidade. Quando se deixava os pelos crescer, a mulher era considerada prostituta. Como diz Priore:

“As pessoas consideradas ‘decentes’ costumavam depilar ou raspar as partes pudendas para destituí-las de qualquer valor erótico. Frisar, pentear ou cachear os pelos púbicos eram apanágios das prostitutas”.

E para por fogo nesta conversa, e talvez causar aversão ao ler os próximos pontos, além de ser bem cabeluda teria que ter o “cheirinho” natural. Só para ter uma ideia, um odor ao ponto de criar vômitos nos tempos de hoje era fator primordial para uma boa cópula.

O próprio Gregório de Matos (O Boca do Inferno) conta isto em seus versos:

“Lavai-vos quando o sujeis
E porque vos fique o ensaio
Depois de foder lavai-o
Mas antes não o lavais...”

Entrando no campo do desejo sexual, de suma importância para entender algumas curiosidades, enquanto hoje numa relação sexual o casal (homem e mulher) poderia se deliciar e expressar suas sensações e prazeres sem se preocupar com censura, antes isto era diferente. No passado, o direito de gozar era, apenas, do homem. A Igreja reforçou esta ideia e o comportamento de que o “gemer” feminino além de proibido, era repudiado pelos próprios maridos. A Mulher não tinha este “direito” de ter prazer, sua função diante da sociedade da época era de procriar, como diz, mais uma vez, Priore:

Ser assexuada, embora tivesse clitóris, à mulher só cabia uma função: ser mãe. Ela carregou por quinze séculos a pecha imposta pelo cristianismo: herdeira direta de Eva, foi responsável pela expulsão do paraíso e pela queda dos homens. Para paga seu pecado, só dando à luz entre dores.

Lembrando, enquanto hoje o beijo na boca são comuns nas praças, nos Shopping, Praias e diversos lugares públicos. Beijo na boca mesmo, só veio ser comum com a invenção do creme dental e a escova. Agora, imagina: "como era antes destas maravilhosas invensões?" Claro que ninguém suportaria beijar uma boca que nunca na vida passou por uma lavagem.

Assistam a entrevista da Historiadora Mary Del Priore:


Referência Bibliográfica:

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

PRIORE, Mary Del. Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.

domingo, 10 de julho de 2011

A Primeira Guerra Mundial (1914-18)

O evento mais significativo do século, não foi apenas traumática enquanto durou, mas também teve efeitos profundos. Ajudou a impulsionar a Revolução Russa e configurou-se como uma das causas de depressão financeira dos anos 1930.

A Primeira Guerra Mundial foi um confronto bélico sem precedentes históricos, pois envolveu todas as grandes potências do mundo, impondo o recrutamento obrigatório em cada nação, não só para o exército como também para a produção, resultando numa completa mobilização econômica e militar. No esforço de guerra, cada Estado assumiu a administração de sua própria economia e todos os cidadãos tornaram-se soldados. Os tanques de Guerra, os encouraçados, os submarinos, os abuses de grosso calibre e a aviação, entre outras inovações tecnológicas, demonstraram que o mundo possuía uma capacidade bélica até então inimaginável.

Em linhas gerais, a Primeira Guerra Mundial apresentou duas grandes fases: em 1914 houve a guerra do movimento e, de 1915 em diante, a guerra de trincheiras. A primeira fase estava relacionada ao Plano Schlieffen, estratégia alemã elaborada em 1905 que previa a guerra em duas frentes, concentrada todo o esforço bélico primeiramente no Ocidente e depois no Oriente, sem dividir-se. Começaria com uma rápida ofensiva esmagadora contra a França, derrotando-a, em seguida o grosso das operações militares seria realizado na frente oriental, contra a Rússia, acreditando-se numa vitória em poucos meses.

Trincheiras

Para a execução da ofensiva ocidental, os alemães invadiram a França, atravessando o território belga, o que violou a sua neutralidade. Esse foi o pretexto para a Inglaterra declarar guerra à Alemanha. Os exércitos alemães marcharam em direção a Paris, surpreendendo as tropas francesas. Uma ofensiva russa na frente oriental, entretanto, obrigou o general alemão Moltke a uma divisão de forças. A França salvou-se do fulminante ataque alemão na Batalha do Marne (1914).

Com o fracasso do Plano Schlieffen, terminava a guerra de movimento, iniciando-se a guerra de posição ou de trincheiras. Outras potências entraram no conflito, posicionando-se ao lado da Entente: Japão (1914), Itália (1915), Romênia (1916) e Grécia (1917). Ao lado dos impérios centrais (Alemanha e Austria-Hungria) colocaram-se a Turquia (1914) e a Bulgária (1915).

Alianças militares europeias em 1914. A Tríplice Aliança está representada em castanho, a Tríplice Entente em verde e as nações neutras em pêssego.

Enquanto na frente ocidental a guerra entrava na fase das trincheiras, cada país defendendo, palmo a palmo, o território conquistado, na frente oriental ocorria uma sequencia de grandes vitórias alemãs, como na batalha de Tannenberg, na qual cem mil russos foram aprisionados.

Em 1916, em Verdun, frustra-se uma nova ofensiva alemã contra a França, mantendo-se em geral as posições conquistadas. O ano de 1917, ao contrário, foi marcado por acontecimentos decisivos para a guerra.

As contínuas derrotas russas aceleravam a queda da autocracia czarista, culminando na revolução de 1917, que implantaram um governo socialista. Com o novo governo concluiu-se um acordo de paz em separação, o Tratado de Brest-Litovski, de 1918, oficializando a saída dos russos da guerra.

Ainda em 1917, a Itália sofreu uma grande derrota frente aos Austríacos, na batalha de Caporetto, sendo neutralizada. Com dois inimigos fora de combate, as potências centrais passaram a se preocupar com a frente ocidental franco-inglesa, e a Alemanha intensificou o bloqueio marítimo à Inglaterra, objetivando deter seus movimentos e o abastecimento da Grã-Bretanha.

Os Estados Unidos, que até então se mantinham neutros, embora ligados à Entente, abastecendo os países europeus de alimentos e armamentos, sentiram-se ameaçados pela agressividade alemã. O afundamento do seu transatlântico Lusitânia e do navio Vigilentia serviu de pretexto para a declaração de guerra contra as potências centrais. A entrada dos Estados Unidos na guerra, em 1917, com seu imenso potencial industrial e humano reforçou o bloco dos aliados. A abundante oferta de novas armas – tanques, navios e aviões de guerra – dinamizou o conflito, levou à retomada da ofensividade aliada que impôs sucessivas derrotas aos alemães.

Assim, graças à superioridade econômica-militar dos aliados, paulatinamente as potências centrais foram sendo derrotadas, e, em novembro de 1918, o próprio Kaiser renunciava, refugiando-se na Holanda. O novo governo social-democrata da Alemanha assinou o Armistício de Compiegne, finalizando a Primeira Guerra Mundial.

Assistam ao Vídeo:


Fontes:

VICENTINO, Cláudio. História Geral. Ed. atual. e ampliada. São Paulo: Scipione, 1997

BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do século XX. São Paulo: Editora Fundamento Educacional, 2008.

Internet:

Acesso em 10/07/2011: http://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Schlieffen

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dias de Pânico em Recife

Estádio do ARRUDA (Recife) - Na cheia de 1975


Em 1975, no Recife, a população escandalizava-se devido a boatos que corriam nos ouvidos das pessoas através do boca a boca. Causando pânico em toda a cidade. Pacientes de hospitais, moradores do centro do Recife e trabalhadores, fugiam e corriam para salvar suas vidas de um provável rompimento da barragem de Tapacurá. Os gritos eram: "Tapacurá estourou!" Causando pandemônio e medo em todo o Recife.

Entre os dias 17 e 18 de Julho daquele ano, uma enchente deixou 80% do Recife sob as águas. Outros 25 municípios banhados pelo rio Capibaribe também foram atingidos. Ao todo, morreram 107 pessoas e outras 350 mil ficaram desabrigadas. O governador da época, Moura Cavalcanti, decretou estado de calamidade pública na capital e em nove municípios do interior.

Na manhã do dia 21, as águas baixaram e a população começava retomar a vida, foi quando o pânico voltou a tomar conta das ruas do Recife. Tudo provocado por um boato de que a Barragem de Tapacurá havia estourado e que a cidade seria arrasada.

Ainda pela manha, uma multidão corria de um lado para outro sem saber aonde ir; mulheres desmaiavam; os carros não respeitavam sinais nem contra-mão; guardas de trânsito abandonavam seus postos; várias pessoas foram atropeladas; bancos, casas comerciais e a agência central dos Correios fecharam as portas; no Hospital Barão de Lucena várias pessoas pularam do primeiro andar; enquanto o boato se espalhava de boca em boca.


As emissoras de rádio passaram imediatamente a divulgar insistentes desmentidos. A Polícia Militar divulgou nota oficial informando que prenderia quem fosse flagrado repetindo o alarme. A Polícia Federal anunciou que estava investigando a origem (nunca descoberta) do boato. Tudo para tentar acalmar a população. O pânico durou cerca de duas horas, mas seu momento de maior intensidade teve cerca de 30 minutos. Mais de 100 pessoas foram atendidas nos serviços de emergência dos hospitais.

O trânsito, em estado de calamidade, ficou intransitável. Os pedestres se jogavam nos ônibus, outros pulavam dos ônibus, em busca de parentes e amigos, na esperança de revê-los antes da “morte” que não estava por vim.

Av. Guararapes. Pânico coletivo no Recife.
10h do dia 21 de Julho de 1975.

Só a partir do discurso do governador, na época, José Francisco de Moura Cavalcanti que as pessoas começaram a se acalmar, seguindo com diversos boletins das rádios e televisão.

A pesquisadora Maria do Carmo Andrade publicou . “Tapacurá estourou!” Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife.

Vejam parcialmente a pesquisa:

“Tapacurá estourou!”

DESESPERO TAMBÉM NA PERIFERIA. AS PESSOAS
FUGIAM COM MEDO DE UMA TRAGÉDIA FICTÍCIA

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

Desde 1632, a história registra grandes enchentes em Pernambuco. Umas de maiores, outras de menores proporções, mas todas causando muitos danos à população. Depois das de 1970, houve pressão para que os governos estadual e federal tomassem providências no sentido de proteger o Recife das cheias.

Uma das providências seria a construção de barragens. Em 1973, foi inaugurada a de Tapacurá e a população acreditava que apenas ela seria a solução para evitar as enchentes. Em 1975, para surpresa de todos, houve uma enchente que foi considerada a maior calamidade do século.

Aconteceu entre os dias 17 e 18 de julho, quando 80% da população do Recife ficaram debaixo d’água, 25 municípios da bacia do rio Capibaribe também foram atingidos, morreram 107 pessoas e outras milhares ficaram desabrigadas. Ferrovias foram destruídas, pontes desabaram, casas foram arrastadas pelas águas. Por terra, o Recife ficou isolado do resto do País durante dois dias.

Quando as águas começaram a baixar, as pessoas, fisicamente e psicologicamente fragilizadas, foram aos poucos avaliando os prejuízos e retomando suas vidas. Foi nesse cenário que, por volta das 10 horas da manhã do dia 21 de julho, surgiu o boato de que a barragem de Tapacurá (que tem capacidade para acumular 94 milhões de metros cúbicos de água e nada sofrera com a enchente) havia estourado e que a cidade seria destruída pelas águas em poucas horas.

“Tapacurá estourou!” O alarme anônimo provocou pânico em toda a cidade e o Recife enlouqueceu. O grito ecoou de boca em boca, começou a correria de um lado para outro em busca dos parentes e amigos para fugirem ou morrerem juntos. Motoristas gritavam para os pedestres: “Fujam! A barragem estourou!” Algumas pessoas corriam no sentido cidade-subúrbio, outros no sentido subúrbio-cidade. Uns subiam em árvores, outros subiam até os últimos andares de edifícios, grande parte simplesmente abandonava os postos de serviços em comércio, escritórios e até bancos. Lojas, colégios e repartições públicas ficaram vazias.

A rua do Hospício virou realmente um verdadeiro hospício. Filas de ônibus desmanchavam-se. Homens e mulheres abandonavam o posto da Previdência Social, onde aguardavam atendimento e, ainda com cartões de identificação nas mãos, atropelavam-se nas escadarias dos edifícios próximos na tentativa de encontrar um lugar seguro.

Carros trafegavam em velocidade na contramão. Ônibus eram invadidos fora das paradas por aflitos fugitivos, ao mesmo tempo em que passageiros apavorados saltavam pelas janelas. Mulheres em pleno ataque de nervos gritavam de mãos estendidas para o alto. “Salve-se quem puder!”.

Na Avenida Caxangá, que se estende por sete quilômetros em paralelo ao rio Capibaribe, estava uma confusão geral. Milhares de pessoas corriam de um lado para outro, disputando lugar com os carros e ônibus. Muitos com faróis acesos e buzinando com estardalhaço tomavam o sentido inverso do tráfego.

Pedestres imploravam por carona, mesmo sem saber o destino do veículo, mas apenas para sair dali. Das ruas transversais saiam multidões alarmadas, gente carregando roupas, aparelhos de televisão, bujões de gás, colchões. A loucura era tal, que até doentes internados em hospitais abandonaram ambulatórios e enfermarias, alguns vestidos com os característicos camisolões, para se juntarem à massa em fuga.

Cleudson Barros de Oliveira, recém-chegado da cidade de Salvador-BA, estava trabalhando na Empresa Bonfim, que ficava na antiga Rodoviária, próximo ao viaduto das Cinco Pontas. Quando soube que Tapacurá havia estourado, correu juntamente com os colegas, para cima do viaduto, entretanto achando que o viaduto provavelmente cairia com a força das águas, resolveram descer. Pensando depois que poderiam morrer afogados, subiram novamente e assim ficaram subindo e descendo completamente desorientados.

Várias outras situações dramáticas aconteceram: a dona de casa Fátima Aleixo, residente na rua Francisco de Paula Machado, no Cordeiro, gritava por socorro, numa crise de histeria, enquanto todos da rua corriam sem olhar para trás; Joana Gomes de Andrade, com um pé descalço e o outro calçado e sua filha Carmelita, com a roupa que estava lavando na mão, também corriam, assim como Dora, com uma caixa de mantimentos que acabara de comprar, na cabeça. Era uma questão de vida ou morte, corria-se com o que estava ao alcance das mãos ou com o que se estava na mão. Não havia tempo para raciocínio lógico.

O governador do estado, José Francisco de Moura Cavalcanti, em seu gabinete, cuidava das ações de assistência aos municípios em que ele decretara estado de calamidade pública em consequência das inundações. Quando soube da notícia, convocou o coronel Geraldo Pereira de Lima, chefe da Casa Militar, para saber o que estava havendo.

Feita a comunicação com a administração da barragem, constatou-se que a situação era normal. O governador dirigiu-se para o meio da confusão, em frente ao Diretório Central dos Estudantes, na rua do Hospício. Os estudantes choravam, agitados. O governador disse a eles que a notícia da barragem não era verdadeira, que se Tapacurá houvesse estourado ele não estaria ali naquele momento. Os estudantes se acalmaram e tomaram as ruas gritando para o povo que a notícia sobre o estouro de Tapacurá era falsa, que era boato, que estava tudo bem.

Estrada dos Remédios - década de 70

Mas, somente após os insistentes boletins divulgados pelas emissoras de rádio e televisão, alguns feitos pelo próprio governador desmentindo o boato, a vida da cidade reordenou-se aos poucos.

Hoje, a história da barragem de Tapacurá parece coisa de folclore. As pessoas que viveram aquele acontecimento, no entanto, quase sempre têm uma história tragicômica para contar.

Recife, 13 de julho de 2006.

Assistam ao vídeo que mostra a estrutura da Barragem:


FONTES CONSULTADAS:

ENCHENTE e pânico. Disponível em: . Acesso em: 5 maio 2006.

FONSECA, Homero. Tapacurá; o dia em que o Recife enlouqueceu. In: MENEZES, Fernando (Coord.). Recife: paixão e tragédia. 2.ed. Recife: PROPEG, 2000.

JC On-Line. Especial 80 anos. Disponível em: Acesso em: 5 maio 2006.

TAPARURÁ estourou. . Disponível em: . Acesso em: 5 maio 2006.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

ANDRADE, Maria do Carmo. “Tapacurá estourou!” Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

Fonte: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=806&Itemid=1

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Sociedade Feudal

No feudalismo, a posse da terra era o critério de diferenciação dos grupos sociais, rigidamente definidos: de um lado, os senhores, cuja riqueza provinha da posse territorial e do trabalho servil; de outro, os servos, vinculados à terra e sem possibilidade de ascender socialmente. A esse tipo de sociedade, estratificada, sem mobilidade, dá-se o nome de sociedade estamental.

Assim, a sociedade feudal era composta por dois estamentos, ou seja, dois grupos sociais com status fixo: os senhores feudais e os servos. Os servos eras constituídos pela maior parte da população camponesa, vivendo como os antigos colonos romanos – presos à terra e sofrendo intensa exploração. Eram obrigados a prestar serviços ao senhor e a pagar-lhe diversos tributos em troca da permissão de uso da terra e de proteção militar.

Embora a vida do camponês fosse miserável e ele se submetesse completamente ao senhor, a palavra escravo seria imprópria para designar sua condição, uma vez que o servo achava-se ligado à terra, não podendo ser dela retirado para ser vendido. Assim, quando um senhor entregava sua terra a outro, o servo apenas passava a ter um novo amo, permanecendo, contudo, na mesma tenência. De certo modo, isso lhe dava alguma segurança, pois, ao contrário do escravo, o servo podia sempre contar com um pedaço de terra para sustentar sua família, ainda que precariamente.

De maneira geral, clero, nobreza e servos eram os grupos definidores da hierarquia feudal, havendo, entretanto, alguns grupos sociais menores, cujo referencial era estabelecidos entre senhores e servos. Nesses grupos encontram-se os vilões, antigos proprietários livres, embora permanecessem ligados a um senhor. Na realidade, eram servos com menos deveres e mais liberdades, com obrigações quase sempre bem-definidas e que não poderiam ser aumentadas segundo a vontade do senhor.

A terra tinha grande importância na época feudal, em decorrência da escassez de moeda e de outras formas de riqueza. Assim, estimulou-se a prática de retribuir serviços prestados com a concessão de terras. Os nobres que as cediam eram os suseranos e aqueles que as recebiam tornavam-se seus vassalos.

Um cerimonial (Homenagem) acompanhava a concessão do feudo (beneficium), ocasião em que o vassalo jurava fidelidade ao suserano, comprometendo-se a acompanhá-lo nas guerras, assim como suserano jurava, em reciprocidade, proteção ao vassalo. Enfim, suserano e vassalo assumiram compromissos de ajuda e consulta mútua (auxilium e consilium).

As Guerras

A guerra no tempo do feudalismo era uma das principais formas de obter poder. Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar suas terras e poder. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos medievais. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, representavam o que havia de mais nobre no período medieval. A residência dos nobres eram castelos fortificados, projetados para serem residências e, ao mesmo tempo, sistema de proteção.

Educação, artes e cultura

A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Marcada pela influência da Igreja, ensinava-se o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros.

A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião.

Podemos dizer que, em geral, a cultura e a arte medieval foram fortemente influenciadas pela religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais.

Vejam o Vídeo sobre a Sociedade Feudal:

Vídeo 02


Referências:

VICENTINO, Cláudio. História Geral. Ed. atual. e ampliada. São Paulo: Scipione, 1997