quinta-feira, 15 de julho de 2010

Charges - Uma forma de contar História

Nos meios de comunicação, o uso das charges esteve sempre vinculado à realização de algum tipo de reflexão sobre os acontecimentos do cotidiano. Tendo grande espaço dentro dos jornais diários, as charges parecem ter se transformado em grandes ícones que relatam o cotidiano por meio da expressividade das imagens e o uso de um texto curto e sugestivo. Contudo, esse “narrador do agora” também pode ser um importante instrumento de reflexão do passado.

Muitas vezes, o chargista costuma fazer a crítica sobre uma situação do agora realizando uma comparação da mesma com algum fato passado. Dessa maneira, o chargista se transforma em um sujeito capaz de propor uma perspectiva do passado que reafirme ou promova um contraste com a vivência do presente. Apesar de destacarmos o uso de charges com esse tipo de característica, devemos nos lembrar que quaisquer outras charges podem ser trabalhadas como documentos da história.


Retornando ao tipo de charge aqui trabalhada, sugerimos a proposição de uma aula de história contemporânea que debata a política internacional do presidente norte-americano George W. Bush (2001 – 2008). Para isso, sugerimos a utilização de algumas charges que costumam comparar o presidente norte-americano com Adolf Hitler, líder político da Alemanha durante o governo nazista. Em suma, podemos convidar a sala a desconstruir tais imagens tentando refletir os elementos nelas trabalhados.

Um das charges mais comumente encontradas nos meios de comunicação costuma caracterizar George W. Bush com os uniformes ou acessórios adotados por Hitler. Demonstrando esse tipo de imagem em sala o professor pode tentar realizar uma atividade que se preocupa em refletir com um pouco mais de tempo e cuidado sobre a comparação histórica oferecida pelo autor da charge. Para darmos exemplo desse exercício, colocaremos abaixo uma dessas várias charges.


No exemplo exposto, podemos ver que o artista utilizou de uma montagem que coloca Bush como o ator principal de um filme. Para reforçar a equiparação entre Hitler e Bush, o autor utiliza do título do filme “O grande ditador” (1940), no qual o ator e comediante Charles Chaplin (1889 - 1977) faz um versão caricata de Adolf Hitler. Dessa forma, o autor da charge “conta” ao público que ele pretende fazer a mesma crítica de Chaplin por ambos tratarem de personagens históricos semelhantes.

Fontes:
Acesso em 15/07/2010: www.charge-o-matic.blogger.com.br
Por Rainer Sousa: http://www.educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/historia-charges.htm
Maurício Ricardo: http://charges.uol.com.br

Assistam ao vídeo charges abordando a história de Tiradentes:

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Revolução Francesa


No desenvolver do século XVIII existem dois importantes fatos históricos que marcaram esse período. De um lado temos a ascensão dos ideais iluministas, que pregavam a liberdade econômica e o fim das amarras políticas estabelecidas pelo poder monárquico. Além disso, esse mesmo século assistiu uma nova etapa da economia mundial com a ascensão do capitalismo industrial.

Nesse contexto, a França conviveu com uma interessante contradição. Ao mesmo tempo em que abrigou importantes personagens do pensamento iluminista, contava com um estado monárquico centralizado e ainda marcado por diversos costumes atrelados a diversas tradições feudais. A sociedade francesa estava dividia em classes sociais distintas pela condição econômica e os privilégios usufruídos junto ao Estado.

De um lado, tínhamos a nobreza e o alto clero usufruindo da posse das terras e a isenção dos impostos. Além disso, devemos salientar a família real que desfrutava de privilégios e vivia à custa dos impostos recolhidos pelo governo. No meio urbano, havia uma classe burguesa desprovida de qualquer auxilio governamental e submetida a uma pesada carga tributária que restringia o desenvolvimento de suas atividades comerciais.

A classe proletária francesa também vivia uma situação penosa. No campo, os camponeses eram sujeitos ao poder econômico dos senhores feudais e viviam em condições mínimas. Muitos deles acabavam por ocupar os centros urbanos, que já se entupiam de um amplo grupo de desempregados e miseráveis excluídos por uma economia que não se alinhava às necessidades do nascente capitalismo industrial.

Somados a todos estes fatores, a derrota francesa em alguns conflitos militares e as péssimas colheitas do final do século XVIII, contribuíram para que a crise econômica, e a desordem social se instalassem de vez na França. Desse modo, a década de 1780 veio carregada das contradições, anseios e problemas de uma nação que não dava mais crédito a suas autoridades. Temos assim, os preparativos da chamada Revolução Francesa.

FONTE:
Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

Assistam aos Vídeos sobre a Revolução Francesa:

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Revolução Industrial

O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu no fim da Idade Média com o renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente; o produtor possuía os meios de produção: instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o artesão realizava todas as etapas da produção.

A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção industrial. O manufatureiro distribuía a matéria-prima e o artesão trabalhava em casa, recebendo pagamento combinado. Esse comerciante passou a produzir. Primeiro, contratou artesãos para dar acabamento aos tecidos; depois, tingir; e tecer; e finalmente fiar. Surgiram fábricas, com assalariados, sem controle sobre o produto de seu trabalho. A produtividade aumentou por causa da divisão social, isto é, cada trabalhador realizava uma etapa da produção.

Na maquinofatura, o trabalhador estava submetido ao regime de funcionamento da máquina e à gerência direta do empresário. Foi nesta etapa que se consolidou a Revolução Industrial.

O pioneirismo inglês
Quatro elementos essenciais concorreram para a industrialização: capital, recursos naturais, mercado, transformação agrária.

Na base do processo, está a Revolução Inglesa do século XVII. Depois de vencer a monarquia, a burguesia conquistou os mercados mundiais e transformou a estrutura agrária. Os ingleses avançaram sobre esses mercados por meios pacíficos ou militares. A hegemonia naval lhes davam o controle dos mares. Era o mercado que comandava o ritmo da produção, ao contrário do que aconteceria depois, nos países já industrializados, quando a produção criaria seu próprio mercado.

Até a segunda metade do século XVIII, a grande indústria inglesa era a tecelagem de lã. Mas a primeira a mecanizar-se foi a do algodão, feito com matéria-prima colonial (Estados Unidos, Índia e Brasil). Tecido leve, ajustava-se aos mercados tropicais; 90% da produção ia para o exterior e isto representava metade de toda a exportação inglesa, portanto é possível perceber o papel determinante do mercado externo, principalmente colonial, na arrancada industrial da Inglaterra. As colônias contribuíam com matéria-prima, capitais e consumo.

Os capitais também vinham do tráfico de escravos e do comércio com metrópoles colonialistas, como Portugal. Provavelmente, metade do ouro brasileiro acabou no Banco da Inglaterra e financiou estradas, portos, canais. A disponibilidade de capital, associada a um sistema bancário eficiente, com mais de quatrocentos bancos em 1790, explica a baixa taxa de juros; isto é, havia dinheiro barato para os empresários.

Depois de capital, recursos naturais e mercado, vamos ao quarto elemento essencial à industrialização, a transformação na estrutura agrária após a Revolução Inglesa. Com a gentry no poder, dispararam os cercamentos, autorizados pelo Parlamento. A divisão das terras coletivas beneficiou os grandes proprietários. As terras dos camponeses, os yeomen, foram reunidas num só lugar e eram tão poucas que não lhes garantiam a sobrevivência: eles se transformaram em proletários rurais; deixaram de ser ao mesmo tempo agricultores e artesãos.

Duas consequências se destacam: 1) diminuiu a oferta de trabalhadores na indústria doméstica rural, no momento em que ganhava impulso 0 mercado, tornando-se indispensável adotar nova forma de produção capaz de satisfazê-lo; 2) a proletarização abriu espaço para o investimento de capital na agricultura, do que resultaram a especialização da produção, o avanço técnico e o crescimento da produtividade.

A população cresceu, o mercado consumidor também; e sobrou mão-de-obra para os centros industriais.

Assistam as vídeos aulas sobre a Revolução Industrial:




parte 02

domingo, 13 de junho de 2010

A INCONFIDÊNCIA MINEIRA

No século XVIII, a ascensão da economia mineradora trouxe um intenso processo de criação de centros urbanos pela colônia acompanhada pela formação de camadas sociais intermediárias. Os filhos das elites mineradoras, buscando concluir sua formação educacional, eram enviados para os principais centros universitários europeus. Nessa época, os ideais de igualdade e liberdade do pensamento iluminista espalhavam-se nos meios intelectuais da Europa.


Na segunda metade do século XVIII, a economia mineradora dava seus primeiros sinais claros de enfraquecimento. O problema do contrabando, o escasseamento das reservas auríferas e a profunda dependência econômica fizeram com que Portugal aumentasse os impostos e a fiscalização sobre as atividades empreendidas na colônia. Entre outras medidas, as cem arrobas de ouro anuais configuravam uma nova modalidade de cobrança que tentava garantir os lucros lusitanos.


No entanto, com o progressivo desaparecimento das regiões auríferas, os colonos tinham grandes dificuldades em cumprir a exigência estabelecida. Portugal, inconformado com a diminuição dos lucros, resolveu empreender um novo imposto: a derrama. Sua cobrança serviria para complementar os valores das dívidas que os mineradores acumulavam junto à Coroa. Sua arrecadação era feita pelo confisco de bens e propriedades que pudessem ser de interesse da Coroa.


Esse imposto era extremamente impopular, pois muitos colonos consideravam sua prática extremamente abusiva. Com isso, as elites intelectuais e econômicas da economia mineradora, influenciadas pelo iluminismo, começaram a se articular em oposição à dominação portuguesa. No ano de 1789, um grupo de poetas, profissionais liberais, mineradores e fazendeiros tramavam tomar controle de Minas Gerais. O plano seria colocado em prática em fevereiro de 1789, data marcada para a cobrança da derrama.


Aproveitando da agitação contra a cobrança do imposto, os inconfidentes contaram com a mobilização popular para alcançarem seus objetivos. Entre os inconfidentes estavam poetas como Claudio Manoel da Costa e Tomas Antonio Gonzaga; os padres Carlos Correia de Toledo, o coronel Joaquim Silvério dos Reis; e o alferes Tiradentes, um dos poucos participantes de origem popular dessa rebelião. Eles iriam proclamar a independência e a proclamação de uma república na região de Minas.


Com a aproximação da cobrança metropolitana, as reuniões e expectativas em torno da inconfidência tornavam-se cada vez mais intensas. Chegada a data da derrama, sua cobrança fora revogada pelas autoridades lusitanas. Nesse meio tempo, as autoridades metropolitanas estabeleceram um inquérito para apurar uma denúncia sobre a insurreição na região de Minas. Através da delação de Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou seus companheiros pelo perdão de suas dívidas, várias pessoas foram presas pelas autoridades de Portugal.
Tratando-se de um movimento composto por influentes integrantes das elites, alguns poucos denunciados foram condenados à prisão e ao degredo na África. O único a assumir as responsabilidades pela trama foi Tiradentes. Para reprimir outras possíveis revoltas, Portugal decretou o enforcamento e o esquartejamento do inconfidente de origem menos abastada. Seu corpo foi exposto nas vias que davam acesso a Minas Gerais. Era o fim da Inconfidência Mineira.


Mesmo tendo caráter separatista, os inconfidentes impunham limites ao seu projeto. Não pretendiam dar fim à escravidão africana e não possuíam algum tipo de ideal que lutasse pela independência da “nação brasileira”. Dessa forma, podemos ver que a inconfidência foi um movimento restrito e incapaz de articular algum tipo de mobilização que definitivamente desse fim à exploração colonial lusitana.

Assistam os vídeos aulas:




Vídeo 02:

quarta-feira, 26 de maio de 2010

HISTÓRIA SE CONTA ASSIM

Vídeo de apresentação do Prof. Hugo Leonardo

aproveitem o Blog

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A EXPANSÃO ISLÂMICA

Foi no tempo das lutas religiosas que apareceu, em Meca, Maomé, fundador da nova religião. Sob as influências diversas dos cristãos romanos e bizantinos, dos cristãos abissínios, dos masdeanos persas e dos israelitas, viviam então, na Arábia, tribos de semitas nômades e politeístas.
Os árabes, de etnia, lingua e tradições, não estavam localizados exclusivamente na Península da Arábia, mas se encontravam também em grande número nos domínios de Roma, da Pérsia, do Egito.Esse fato explica a rapidez que caracterizou as conquistas efetuadas pelos quatro primeiros califas, em seguida à morte de Maomé. Em 632, era ainda restrita a área do Islão em que o Profeta havia pregado; mas, conquistada a Península, a tomada de Madain (637) foi o sinal da derrocada do reino sassânida da Pérsia, consumada em Nehavend, em 643.
Os primeiros califas, amigos de Maomé, residiam na Arábia, em Medina; a dinastia Omíada, que lhes sucedeu em 660, passou a ocupar Damasco, na Síria. Mais políticos do que chefes religiosos, cogitaram de expansão e riqueza; por eles foi realmente criado o califado monárquico, hereditário e conquistador. A ocupação da África do Norte, Ifrikia e Magreb, foi obra deles na primeira metade do século VIII. Nestas conquistas, porém, os elementos não eram mais exclusivamente árabes, mas predominantemente berberes, já muito ligados aos árabes no Egito.
Ocupado o Magreb-al-Acsa ou "Extremo Ocidente", o chefe muçulmano Tarik aproveitou uma situação política confusa em Ceuta e atravessou o estreito que hoje conserva o seu nome (Djebel-al-Tarik) e iniciou a conquista da Espanha visigoda (711).O reino dos francos também chegou a ser invadido; as ilhas do Mediterrâneo Ocidental foram ocupadas. Em 732, porém, foram os invasores batidos em Poitiers, pelo avô de Carlos Magno, abandonando, em seguida, a Gália merovíngia.
Os muçulmanos (árabes-berberes) do Magreb-al-Acsa desempenharam um papel geográfico importante pela sua penetração no Centro da África. Atravessando o Saara e o Sudão, alcançaram a Nigéria e estabeleceram suas comunicações com o Mediterrâneo. Do lado da Ásia, isto é, a nordeste do Irã, foram mais difíceis e mais longas as conquistas muçulmanas; na Transoxiana (Amu-Dária) encontraram os árabes a resistência turca. Depois de 750, reinaram os abássidas, que estabeleceram em Bagdá a capital de seu reino.
Vejam o vídeo: